Outorga de direito de uso de recursos hídricos - o básico
Muitas formas de uso da água - captação, lançamento, barramento, certas obras - exigem uma outorga de direito de uso de recursos hídricos. Para quem exerce uma atividade ligada à água, é um contexto importante em que o monitoramento aparece com igual frequência.
Este é um artigo informativo - em um caso preciso, consulte sempre a legislação em vigor (a Lei 9.433/1997
- Política Nacional de Recursos Hídricos - e as normas de outorga e de licenciamento) e, se preciso, a ajuda de um especialista.
O que é uma outorga de uso da água
É uma forma de autorização exigida, entre outros, para:
- a captação de água (superficial ou subterrânea),
- o lançamento de efluentes em um corpo de água - a outorga de lançamento,
- o barramento e a regularização, certas obras e intervenções em recursos hídricos.
Conforme a magnitude, a atividade fica sujeita a cadastro, dispensa ou outorga; os atos são concedidos pelo órgão gestor competente (a ANA para os corpos de água de domínio da União, ou os órgãos estaduais - por ex. DAEE, IGAM, INEA - para os de domínio estadual).
Por quanto tempo vale uma outorga
O prazo de validade e as condições da outorga não são discricionários: decorrem da lei. No Brasil a base é a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997), e a outorga é emitida pela ANA (corpos de água de domínio da União) ou pelos órgãos gestores estaduais - cada um com as suas regras de prazo e renovação. Não reproduzimos aqui esses prazos: consulte o ato e o órgão competente para o seu corpo de água.
A consequência prática para o monitoramento é, porém, a mesma em qualquer sistema construído assim: a outorga é temporária e a renovação se apoia na documentação apresentada, de modo que a série de medições de todo o período é material probatório, não um arquivo.
Para comparação, num outro ordenamento (Polônia) os prazos máximos são fixados por lei em 30 anos na regra geral, 10 anos para lançamento de efluentes, 4 anos quando há substâncias particularmente nocivas e 5 anos para extração de areia e cascalho - um exemplo de como essa estrutura costuma ser desenhada, não uma regra aplicável ao Brasil.
Para que serve a documentação do pedido
A documentação técnica (uma parte descritiva e uma parte gráfica) constitui a base do ato. Descreve, entre outros, a magnitude e o modo de uso da água, as obras e o impacto sobre o ambiente aquático - em outras palavras, fornece ao órgão os dados de sua decisão. Muitos empreendimentos exigem, além da outorga, o licenciamento ambiental (CONAMA, órgãos estaduais de meio ambiente).
O conteúdo da documentação técnica também é definido pelas normas do órgão outorgante: identificação do empreendimento, finalidade e volume do uso pretendido, descrição das obras hidráulicas, os instrumentos de medição previstos, a caracterização do impacto e a situação legal das áreas.
Repare no item «instrumentos de medição»: a forma de medir é declarada já no processo, portanto o monitoramento posterior não é livre - precisa corresponder ao que foi declarado.
Renovação
Ao pedir a renovação, apresenta-se a documentação que embasou a outorga anterior com a declaração de que os dados continuam atuais. É o argumento mais curto para manter os dados em ordem desde o primeiro dia: daqui a alguns anos será preciso mostrar que nada mudou - ou documentar o que mudou.
Onde entra o monitoramento
As outorgas e as licenças impõem muitas vezes condicionantes de controle - por ex. o monitoramento da qualidade e da quantidade dos efluentes lançados ou da água na zona de impacto. Então dados sistemáticos e confiáveis e seu relato tornam-se parte das obrigações, e sua credibilidade (veja QA/QC) - crucial.
Fontes
- Base legal no Brasil: Lei 9.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos) e as normas de outorga da ANA e dos órgãos gestores estaduais - consulte o texto vigente e o órgão competente para o seu corpo de água.
- Padrões de lançamento de efluentes: Resolução CONAMA 430/2011; enquadramento dos corpos de água: CONAMA 357/2005.
- O exemplo comparativo citado acima (prazos de 30 / 10 / 4 / 5 anos) vem da lei polonesa de águas de 20 de julho de 2017 - serve para mostrar a estrutura típica, não se aplica no Brasil.
⚠️ Nada aqui substitui a consulta ao órgão outorgante. As regras diferem entre a União e os estados e são revisadas com frequência.
Na prática
Quando o monitoramento é uma obrigação, o que mais ajuda é a ordem nos dados: pontos fixos, unidades, valores de referência e prontidão para a exportação para os relatórios. O LimnoLog mantém as medições nessa estrutura, permite marcar valores de referência (por ex. os valores admissíveis da outorga) e exportar os dados para o Excel para o relatório.
Ver no aplicativo LimnoLog
Conheça os recursos do LimnoLog