O índice TSI de Carlson - avaliar o estado trófico com um número

Base de conhecimento · 27 de julho de 2026

O estado trófico de um lago pode ser descrito com palavras (oligo-, meso-, eutrófico) ou com um número - e é para isso que serve o TSI de Carlson (Trophic State Index), proposto por R. E. Carlson em 1977 (Limnology and Oceanography 22(2): 361-369). É prático, porque permite comparar corpos de água e acompanhar mudanças ao longo do tempo em uma única escala coerente.

Do que ele é composto

O TSI é calculado a partir de três indicadores de fertilidade estreitamente relacionados:

  • a transparência (profundidade do disco de Secchi, SD),
  • a clorofila-a (Chl) - a biomassa algal,
  • o fósforo total (TP).

Cada um deles fornece um valor de TSI próprio. A escala está ancorada na transparência: cada redução à metade da visibilidade do disco de Secchi eleva o TSI em 10 pontos (o mesmo faz dobrar o fósforo total). Dobrar a clorofila-a eleva o índice em pouco menos de 7 pontos: não é uma incoerência, e sim o efeito de cada componente ter seu próprio coeficiente, ajustado aos dados empíricos de Carlson.

Os valores de lagos típicos situam-se aproximadamente na faixa 0-100, mas trata-se de uma faixa prática, não de um limite matemático: as fórmulas são logarítmicas, de modo que um corpo de água extremamente fértil pode dar um resultado acima de 100.

As fórmulas (segundo Carlson)

As relações são logarítmicas (SD em metros, Chl e TP em µg/l):

  • TSI(SD) = 60 − 14,41 · ln(SD)
  • TSI(Chl) = 30,6 + 9,81 · ln(Chl)
  • TSI(TP) = 4,15 + 14,42 · ln(TP)

Como ler a escala

TSIEstado tróficoO que esperar
< 40oligotróficoágua pobre e transparente, zona oxigenada profunda
40 - 50mesotróficoestado intermediário, algas visíveis em certos períodos
50 - 70eutróficoágua fértil, florações sazonais, déficits de oxigênio no fundo
> 70hipertróficoflorações persistentes, transparência de algumas dezenas de centímetros

Quanto maior o TSI, maior a fertilidade.

Índice de estado trófico de Carlson em função da transparência ao disco de SecchiCurva logarítmica: cada redução à metade da transparência eleva o TSI em dez pontos, e as faixas horizontais correspondem às classes tróficas. oligotrófico mesotrófico eutrófico hipertrófico 20406080 0,250,5124816 metade = +10 TSI TSI transparência ao disco de Secchi (m) Pontos calculados com a fórmula do artigo: TSI(SD) = 60 - 14,41 · ln(SD).
A escala TSI é logarítmica: de 4 para 2 m são os mesmos dez pontos que de 1 para 0,5 m. Um metro de diferença significa, portanto, coisas distintas em um lago claro e em um fértil.

Qual indicador pesa mais

Se você dispõe dos três, não faça a média sem refletir. Na abordagem clássica de Carlson, o mais próximo da «verdade» sobre a produção biológica é TSI(Chl): a clorofila mede diretamente a biomassa algal, enquanto a transparência e o fósforo são medidas indiretas.

A média dos três componentes (é assim que a nossa calculadora a obtém quando você fornece o conjunto completo) é um atalho cômodo e funciona bem para lagos típicos, mas a divergência entre os componentes costuma ser mais valiosa do que a sua média:

  • TSI(SD) claramente maior que TSI(Chl): a transparência está limitada por algo diferente das algas, na maioria das vezes por sólidos minerais em suspensão ou substâncias húmicas;
  • TSI(TP) claramente maior que TSI(Chl): há fósforo em abundância, mas as algas não o aproveitam; a produção está então limitada por outro fator (frequentemente o nitrogênio ou a luz).

Essa leitura das divergências (na literatura: deviation analysis) costuma ser mais útil para avaliar as causas da eutrofização do que o próprio valor do índice.

⚠️ No Brasil usa-se o IET, não o TSI original

Este é o ponto mais importante deste artigo para quem trabalha no Brasil. As equações acima são as originais de Carlson (1977), deduzidas para lagos de clima temperado. Em condições tropicais elas deslocam o resultado, e por isso não são as que os órgãos brasileiros aplicam.

O padrão nacional é o IET (Índice de Estado Trófico) de Carlson modificado por Lamparelli (2004), adotado pela CETESB e por outros órgãos estaduais. Ele difere do original em dois pontos que mudam o número:

  • coeficientes reajustados para corpos de água tropicais;
  • equações distintas para rios e para reservatórios - o TSI original não faz essa separação.

Consequência prática: se você calcular o índice com as fórmulas deste artigo (ou com a nossa calculadora) e comparar com o IET de um relatório da CETESB para o mesmo reservatório, os valores não vão coincidir

  • e a diferença não é erro de medição, é outra parametrização. Para comparar com dados oficiais brasileiros, use o IET de Lamparelli; para comparar com literatura internacional, o TSI de Carlson.

A que prestar atenção

  • Estação e medição isolada. O TSI faz sentido calculado a partir do período vegetativo e como série; uma leitura única de um só dia descreve o tempo meteorológico, não o estado do corpo de água.
  • É uma ferramenta para lagos. O TSI foi desenvolvido para águas paradas da zona temperada. Para rios, reservatórios com tempos de retenção curtos e águas fortemente húmicas, aplica-se com cautela.
  • O TSI não é uma classe de estado. É um índice descritivo à parte, de origem norte-americana. Não substitui as classes de qualidade usadas na avaliação dos corpos de água nem se converte nelas - complementa-as bem, mas não pode fundamentar uma avaliação formal nem o enquadramento.

🧮 Ferramenta: Calculadora do TSI de Carlson

  • informe a transparência, a clorofila-a ou o fósforo total e veja de imediato o índice e o estado trófico segundo a tabela acima. Sem cadastro.

Na prática

Para o TSI você precisa de séries coerentes de transparência, clorofila e fósforo - de preferência das mesmas datas e da mesma estação, porque só então comparar os componentes faz sentido. No LimnoLog você registra esses parâmetros em um único projeto e acompanha sua tendência; o próprio valor do TSI pode ser mantido como parâmetro personalizado, observando sua mudança estação após estação.

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