Reservatórios e corpos de água fortemente alterados - como avaliá-los

Base de conhecimento · 7 de julho de 2026

Ao ler as avaliações das águas, você pode notar que certos corpos de água são tratados com um critério um pouco diferente. Isso porque foram fisicamente alterados a um grau que muda o ponto de referência: um rio barrado, transformado em reservatório, já não funciona como um rio natural. Vale a pena compreender essa diferença para não comparar «laranjas com maçãs».

Corpos de água fortemente alterados e artificiais

  • Os corpos de água fortemente alterados são corpos cujo caráter foi substancialmente mudado pela atividade humana - por ex. rios barrados, reservatórios - de um modo ligado a um uso importante (geração de energia, abastecimento, controle de cheias, navegação).
  • Os corpos de água artificiais são águas criadas pelo homem onde antes não existiam - por ex. canais.

Nos dois casos, restabelecer um estado próximo do natural não é possível sem renunciar a esse uso - por isso exigem uma leitura própria.

Os reservatórios - ambientes lênticos artificiais

O caso mais comum no Brasil é o reservatório (barragem): um ambiente lêntico (de águas paradas) criado sobre um rio antes lótico (de águas correntes). Essa transformação muda tudo - a água fica mais quente, mais estratificada, mais propensa à eutrofização e às florações. Por isso os reservatórios avaliam-se com atenção particular a indicadores próprios dos lagos:

  • o estado trófico (por ex. pelo índice de estado trófico, IET, adaptado a reservatórios),
  • a transparência, a clorofila a e o fósforo total,
  • as condições de oxigenação em profundidade (o fundo pode ficar anóxico).

A que se refere a avaliação

Para um corpo fortemente alterado, o ponto de referência não é um rio natural, mas as melhores condições alcançáveis dado o seu uso. A avaliação química (as substâncias comparadas aos padrões da CONAMA 357) faz-se do mesmo modo que nas águas naturais - a alteração física não muda os critérios químicos.

Na prática

Do ponto de vista de quem faz o monitoramento, o método de medição em si não muda - a diferença está na interpretação dos resultados diante do ponto de referência certo. Se um corpo de água é natural, alterado ou artificial, você pode verificar pela sua categoria (ver corpos de água). As medições em si sempre valem a pena ser mantidas em ordem - por ex. em um projeto LimnoLog, com valores de referência para os indicadores. Sobre como isso se combina na avaliação global, descrevemos no artigo Classes e qualidade das águas.

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